quarta-feira, 8 de abril de 2009

Requiem de Fauré

Estou a ouvir esta maravilha e não consigo deixar de me emocionar... Será possível tudo isto ter sido criado assim, sem mais nem menos? Ou era suposto eu estar aqui a ouvir, a lembrar e a chorar?
Lembras-te quando, num dia cinzento te mostrei o Agnus Dei? Era apenas para te ver sorrir...Para que assim o meu céu se abrisse...Nesse dia abriu...Sol...
Mas depois fizeste-o cair-me em cima...Para me queimar até aos ossos.

ELEN-DÚ...

sexta-feira, 13 de março de 2009

"...So good to see you. I've missed you so much. So glad it's over. I've missed you so much. Came out to watch you play. Why are you running away?..." 

quarta-feira, 11 de março de 2009

Elbereth Glorfindel...

...ou Rainha das Estrelas de Cabelo Dourado...
Como reparar todo o mal que nasceu das minhas mãos quando das tuas só colhi o amor?

                                                                                                     ...amizade é amor...


Agora já tens nome!Catarina...

Foi um Momento


Foi um momento
O em que pousaste 
Sobre o meu braço, 
Num movimento 
Mais de cansaço 
Que pensamento, 
A tua mão 
E a retiraste. 
Senti ou não ? 

Não sei. Mas lembro 
E sinto ainda 
Qualquer memória 
Fixa e corpórea 
Onde pousaste 
A mão que teve 
Qualquer sentido 
Incompreendido. 
Mas tão de leve!... 

Tudo isto é nada, 
Mas numa estrada 
Como é a vida 
Há muita coisa Incompreendida... 

Sei eu se quando 
A tua mão 
Senti pousando 
‘Sobre o meu braço, 
E um pouco, um pouco, 
No coração, 
Não houve um ritmo 
Novo no espaço? 
Como se tu, 
Sem o querer, 
Em mim tocasses 
Para dizer 
Qualquer mistério, 
Súbito e etéreo, 
Que nem soubesses 
Que tinha ser. 

Assim a brisa 
Nos ramos diz 
Sem o saber 
Uma imprecisa 
Coisa feliz. 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
...para Elen-Dù...

terça-feira, 10 de março de 2009

Coração Habitado


Aqui estão as mãos. 
São os mais belos sinais da terra. 
Os anjos nascem aqui: 
frescos, matinais, quase de orvalho, 
de coração alegre e povoado. 

Ponho nelas a minha boca, 
respiro o sangue, o seu rumor branco, 
aqueço-as por dentro, abandonadas 
nas minhas, as pequenas mãos do mundo. 

Alguns pensam que são as mãos de deus 
— eu sei que são as mãos de um homem, 
trémulas barcaças onde a água, 
a tristeza e as quatro estações 
penetram, indiferentemente. 

Não lhes toquem: são amor e bondade. 
Mais ainda: cheiram a madressilva. 
São o primeiro homem, a primeira mulher. 
E amanhece. 

Eugénio de Andrade, in "Até Amanhã"

Para o Pedro...tu sabes a razão!

Porque há amor neste mundo e no outro.
Porque sem ele nada faria sentido.
Porque há sempre um razão de ser para tudo,
Quero acreditar...

Depois do "ceuzinho" cinzento virá um dia cheio de sol... 
Para me aquecer
E confortar...


Este é apenas um pequeno elogio ao Universo...

quarta-feira, 4 de março de 2009

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Vinícius de Moraes
...para um lugar que perdi...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Cueurs désolez

Eplorée, elle pleura dans la nuit,
Et ses larmes lui remplirent la bouche
Il n'y a personne pour la consoler
Parmi tous ses proches.

...uma chanson de Josquin...

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

QUE TENGAMOS SUERTE
(QUE TINGUEM SORT)
Si me dices adiós
quiero que el día sea limpio y claro,
que ningún pájaro
rompa la armonía de su canto.
Que tengas suerte
y que encuentres
lo que te ha faltado en mí.
Si me dices te quiero
que el sol haga el día mucho más largo,
y así robar
tiempo al tiempo de un reloj parado.
Que tengamos suerte,
que encontremos
todo lo que nos faltó ayer.

Que mañana faltará el fruto de cada paso
para ganar lo que todos hemos
esperado estos años.
Cada paso nos acerca más al mañana
y por esto a pesar de la niebla, hay que andar.

Si vienes conmigo
no pidas un camino llano
ni estrellas de plata
ni una mañana llena de promesas,
solamente
un poco de suerte
y que la vida nos dé un camino
bien largo.

Simples e lindo como nós!

o Osho tinha razão...

O medo da morte (física ou não) é, por vezes, a única força que nos move e que dita as nossas acções. Quantas vezes o medo da aniquilação do ego me fez tomar certas atitudes...
É enorme esse medo da morte ou desaparecimento daquilo que inconscientemente todos chamamos o nosso ser...mas não...esse está muito além...a essência pura não se deixa dominar por esse medo...eu não sou o meu ego...

A consciência ou o nível dela pode ajudar...quero ser consciente...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

E assim começa um novo ciclo...não sei como vou viver debaixo deste "ceuzinho" cinzento que chegou com o inverno...quantas vezes mais terei que me ferir em silêncio ao ter o sorriso de sempre, pronto para aqueles que passam e se acercam?
Manda a consciência de que tenho Amor...que é só para mim, feito para mim...tão bom e tão quentinho...

Soneto

Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono

Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo

Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída

Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio

Não podia haver forma melhor de começar...É assim...lindo...e o Chico é quem canta...